Como o Bnei Akiva surgiu?

Essa é uma pergunta que muita gente faz, mas que poucos sabem a resposta. Neste artigo você descobrirá todos os detalhes do inicio do movimento, e fatos que muito poucos tem conhecimento. Vamos então ficar sabendo sobre os primeiros dias da nossa tnuá, na verdade vamos começar um pouquinho antes.
Em 1928, em Eretz Israel, formou-se uma organização de jovens chamada Shachal, mas fracassou somente porque utilizaram o método da escola, em outras palavras, era como uma escola para ir de tarde.
Mais tarde, em 1929, três chaverim passeavam pelos bairros de Yerushalaim comentando entre si sobre a falta de um movimento juvenil religioso. Cada um deles expunha seus próprios problemas, os de seus companheiros e em todos igualmente se refletia a grande necessidade de uma tnuá ondese organizassem machanot podendo os chaverim passar um shabat bonito. Talvez, pudesse haver inclusive um sede própria…

E assim foi… um sonho, um desejo de se criar um movimento religioso onde houvessem machanot que cumprissem shabat, que jogassem futebol, mas que se falasse também de coisas sérias e de Torá. O primeiro passo deveria ser buscar chanichim.

Os três entraram em um colégio e falaram com os alunos.Alguns aceitaram logo, perguntaram aonde era o snif, qual era o nome da tnuá, qual o uniforme e etc., mas os três não souberem o que responder então falaram a verdade, explicaram que não havia ainda um nome, snif, semel, uniforme….mas isto viria com o tempo…A metade dos dez alunos da classe foram embora de imediato.Sobraram outros cinco que prometeram ser fiéis ao movimento.

O combinado no início foi de todos se encontrarem em uma certa esquina de Yerushalaim, e assim foi. Durante todo o verão eles se reuniram ao ar livre, mas ao chegar o inverno começaram a procurar um local fechado.
O Hapoel Hamizrachi, (que é considerado o “pai” do Bnei Akiva, porque a grande maioria das pessoas que fundaram e ajudaram a fundar o Bnei eram do Mizrachi) é um movimento que nasceu no começo do século XX,alguns anos antes do Bnei, com os mesmo ideais deste, e que contava com o apoio de muitos Rabanim. Ele permitiu a eles que se reunissem em um quartinho numa casa no bairro de Shaarei Pina.Foi fundado então o primeiro snif do Bnei Akiva. Os membros deste snif eram alunos do 2º colegial da escola Talmud ora Mizrahi e do 1º curso do Beit Midrash Lemorim.

Na primeira reunião da tnuá eles propuseram:
“Educar uma juventude judaica, sadia e valente, fiel a seu povo e ao seu país, que viva o seu próprio caminho de acordo com a Torá”
No quartinho não tinha luz, mas com uma lamparina de querosene iluminavam o local, e toda a noite eram designados dois chaverim que chegavam antes de todos para ascenderem a lamparina. Lá, havia uma mesa, uns bancos, candelabros para shabat e algumas ferramentas de trabalho para um jardim aonde cada kvutzá tinha um pedaço para cuidar e plantar uma hortinha.
Este era o aspecto que a tnuá oferecia nos seus primeiros dias. E o que os chaverim mais gostavam na tnuá era a messibá de Oneg Shabat que ficava marcada no coração de cada um até a próxima messibá. Isso porque era um verdadeiro banquete, com frutas, chalot e arenque, todos cantavam zmirot de shabat, músicas chassídicas e depois se ouvia uma drashá.
Em Lag Baomer, de 1929, comemorou-se a fundação do movimento “Bnei Akiva”, em um grande mifkad com um “ktovet esh”. Com o passar do tempo, o snif mudou-se para um lugar maior, com um biblioteca, um meshek e foi se formando uma atmosfera de companheirismo e um sentimento de idealização de ideais.

O que deu força ao Bnei Akiva

Um ano depois da tnuá se formar em Yerushalaim, ocorreu um incidente que dispertou o interesse de muitas pessoas para a tnuá, acrescentando seu prestígio e seu valor por Israel.
Um destes interessados era um jovem chamado Moshe Tzvi, o qual havia feito aliá da Rússia e chegou em Eretz Israel para estudar na Ieshiva do Rav Kook Z”L. O incidente provocou uma mudança na atitude do jovem a respeito do Bnei Akiva, e não só nele como em muitas outras pessoas. O que houve é que até aquela época, nunca houvera uma partida de futebol no shabat em Yerushalaim, como conseqüência de um acordo entre os religiosos e não religiosos. Este acordo era respeitado ao máximo.
Um dia, os jovens do Macabi organizaram uma partida que ia ser jogada no shabat. Esta partida foi anunciada em toda Yerushalaim. No shabat marcado para o jogo, os chaverim de tnuá se juntaram e invadiram o campo quando todos os presentes esperavam o apito inicial.
Quando chegaram, começaram a cantar: “Torat H` temimá meshivat nafesh”. Tanto amor que tinham pelas mitzvot, que não poderiam aceitar que fizessem “chilul shabat” em Yerushalaim e em público. A partida não pode terminar e muitos dos chaverim do Bnei Akiva foram feridos e detidos.
Este fato causou um grande impacto em Moshe tzvi , que começou a trabalhar intensivamente pela tnuá. Depois de alguns anos, fundou-se a primeira Yeshiva do Bnei Akiva em Kfar Harol.

A primeira Machané

De boca em boca se difundia a notícia: sai uma machané.
Três dias fora de casa e fora de Yerushalaim, Era esta a primeira machané do Bnei Akiva. Participaram 25 chaverim. Para eles foi a primeira vez que dormiriam fora de casa. A descrição da paisagem aterrorizou os chanichim inexperientes. Longe de qualquer povoado e em uma casa abandonada. Apesar disso, sem dúvida, foi grande o êxito que tiveram e os chanichim que aprenderam muitas coisas na machané.
E assim passaram-se os anos. A tnuá foi progredindo e se desenvolvendo de tal maneira que hoje em dia o Bnei Akiva é o maior movimento juvenil judaico do mundo, atua em 30 países e congrega em suas fileiras mais de 100.000 membros, 70.000 em Israel, espalhados por 375 snifim, e 30.000 na Diáspora. Hoje o Bnei Akiva orgulha-se de sua participação em todos os setores modernos do Estado de Israel, e dos mais de 50% das altas oatentes do oficialato das tropas de elite do Tsáhal que são chaverim do Bnei Akiva que ocupam.

Por que o nome “Bnei Akiva”?

Nós acreditamos que a melhor maneira de aprender é fixando um exemplo. Embora o Rabi Akiva não começou a estudar Torá até a idade de 40, ele se tornou um dos maiores líderes de Israel e ativistas de todos os tempos. Mesmo nos dias mais sombrios e difíceis de Israel foi ele quem viu a luz da redenção, através da liderança, paixão e sionismo. Seu modo de vida ensina que todos nós podemos alcançar a grandeza, não importa quando começamos.

Há muitos anos, no primeiro snif da Tnuá , em Yerushalaim, surgiu a seguinte pergunta: Por que nós chamamos Bnei Akiva e não Bnei Rabi Akiva?
Uma das respostas que se deram foi que na época dos tanaim, ninguém se dava o nome de Rabi, outros disseram que era muito mais cômodo e fácil pronunciar Bnei Akiva do que Bnei Rabi Akiva.
E assim se deram muitas respostas diferentes, até que chegou o Rav Bar-Ilan e deu a seguinte explicação:”Um título origina separação, distância…”. Isto quer dizer o seguinte: Um pai sempre quer que seu filho lhe tenha plena confiança, e por isso ele pede que seu filho lhe chame de “você” e não de “senhor”; assim nós nos sentimos mais próximos de Rabi Akiva e de seus ideais e nós nos sentimos como filhos dele e por isso nos chamamos Bnei Akiva( na Tora encontramos vários elementos similares, um deles é quando Itzhack deu a Bênçao a Yaakov antes de sua morte).

Bnei Akiva no Brasil

O primeiro shaliach do Bnei Akiva no Brasil foi em 1950. O snif se localizava na Tijuca, no colégio Talmud Torah. A primeira machané aconteceu em 1951, em um sítio perto de Itaboraí. Os bogrim começaram também com programações no Barilan, em Copacabana, sob orientação do Rav Chaim Biniamini. Ao longo desses anos, podemos perceber um ótimo resultado neste maravilhoso trabalho.

  “Os tempos mudaram. Na minha época, as machanot tinham um mês de duração e os pais podiam visitar aos domingos. Como não havia celular, ficávamos incomunicáveis durante esse período. Era comum tirar a água do poço para nosso próprio consumo, por exemplo. As atividades eram parecidas, sempre ressaltando a importância do Estado de Israel, incentivando a a Aliá.”