Ideologia do Bnei Akiva

Rav Kook

O movimento iluminista mudou profundamente o perfil do povo judeu, principalmente durante o século 19. Neste período, muitos judeus abandonaram as tradições e a Torá de seu povo para seguir uma vida ‘normal’ como cidadãos nos países em que residiam. Outros, inspirados pelo sofrimento ou por sua conexão especial com o povo, começaram a levantar as bandeiras que levariam ao sionismo e à criação do Estado de Israel.
Em contrapartida, os religiosos ortodoxos, assustados com este processo sem precedentes, reagiram, afastando-se daqueles que buscavam a modernidade e colocando cada vez mais barreiras entre eles mesmos e tudo o que representasse o mundo moderno. Neste mundo moderno encontrava-se também o sionismo moderno, que buscava a criação de um Estado na Palestina e, portanto, também esta idéia era repugnada e rechaçada pelos ultra-ortodoxos.

Surgiu então a figura de um grande rabino que pensava a frente de seu tempo. O rabino Avraham Itzchak HaCohen Kook nasceu em Látvia (1865) e estudou na Ieshivá de Volozhin, sendo aluno do grande rabino Naftali Tzvi Berlin (conhecido como Natziv).

O rabino Kook percebeu que o povo estava se dividindo em dois. Ele percebeu também o grande valor da causa sionista e o valor de cada pessoa, religiosa ou não, que participava deste grande empreendimento.

O rabino Kook apoiou abertamente o sionismo, considerando um processo bom para o povo e do qual todos deveriam tomar parte. Ele conclamou os religiosos a fazerem parte do movimento sionista e se tornou o primeiro Rabino-Chefe de Israel. Ele via no retorno do povo judeu para sua Terra especial e querida um grande feito. Visitava kibutzim de movimentos sionistas não-religiosos, os ajudava e defendia diante do mundo ortodoxo. Infelizmente, o rabino Kook faleceu em 1935, antes de poder vislumbrar a criação do Estado de Israel.

Seu filho, o rabino Tsvi Iehudá HaCohen Kook, seguiu seu caminho e publicou a maioria dos manuscritos de seu pai. O rabino Kook deixa transparecer em seus escritos um grande amor pelo povo de Israel e uma enorme preocupação por sua união. O Bnei Akiva é inspirado principalmente nos ensinamentos do Rav Kook.

O Lema

O lema do Bnei Akiva é Tora Vaavodá. Duas palavras que representam uma forma de viver: o cumprimento de Mitzvots (Torá) sem deixar de lado  o trabalho em prol da construção da nação de Israel. O lema é representado pelas letras Taf e Ayin no semel do Bnei Akiva, que será apresentado mais na frente.
Em todos os seus 80 anos de existência, o Bnei Akiva hasteou a bandeira de Tora Vaavodá, educando seus milhares de chaverim e seguirem uma vida de tora e Mitzvot, e ao mesmo tempo se disponibilizando a participar de qualquer ato sionista e nacionalista. O bnei Akiva assim tornou- se o projetor de um espírito de união do povo em si e com sua terra. Os adeptos do movimento aprofundaram- se no estudo da Tora, construíram inúmeras Yeshivot (seminários rabínicos), e encarregaram- se da missão de povoar e defender todo o território da terra de Israel.
Fora de Israel, o Bnei Akiva procura educar seus chanichim, enfatizando a Aliá e participando de atos que incentivam a mesma.
Seguindo os ideais de Rabi Akiva de Messirut Nefesh e Ahavai Clal Israel, o Bnei Akivo foi e será um forte veículo para a Gueulá Shlemá.

Os objetivos

– Promover a união de todas as partes do povo de Israel;
– Educar uma geração de jovens comprometidos com a Torá, com o Povo de Israel e com a Terra de Israel; (Am Israel BeEretz Israel Al Pi Torat Israel)
– Ajudar a desenvolver a sociedade em Israel, participando ativamente desta: servindo o exército, serviço social e tudo aquilo que possa contribuir para a sociedade;
– Desenvolver a sociedade em Israel para que esta seja mais correta e mais justa, de acordo com as tradições do povo judeu;
– Combater a assimilação do povo judeu, principalmente na diáspora;
– Promover o sionismo e a aliá na diáspora, fortalecendo assim o Estado de Israel e o seu povo;